Quando a cabeça não tem juízo...

Este tem sido o tema de conversa recorrente nos últimos dias com os meus alunos. Desde o conceito de que quanto mais intenso (entenda-se doloroso) melhor; não descansar; tapar a dor com analgésicos e ir jogar futebol para depois vir ter comigo e pedir-me para lhe arranjar as costas; saber de alguém iluminado que afirma que o único problema com a falta de amplitude pélvica está só na cabeça; a pessoas falarem-me que já estão avançadas na prática como quem se refere à capacidade de fazer ásanas mais exigentes; etc. etc. 
O corpo, ao contrário da mente, tem limites. Esses limites prendem-se a questões físicas objectivas. 
Duas coisas não ocupam o mesmo espaço ao mesmo tempo. Se a estrutura da pélvis não permitir maior amplitude pélvica, não, não está tudo na cabeça. Está na pélvis. É osso.
Usar um emplastro para não sentir dores a jogar futebol e esperar que eu resolva o que foi estragado durante o jogo é esperar um milagre.. Bom, milagres, só em Fátima… depois, é ilógico e pouco inteligente tapar a dor para poderes usar o corpo de forma exigente só porque gostas de jogar à bola. (jogar à bola é um exemplo, não tenho nada contra nem a favor do futebol, cada um faz o que entende) Bastava respeitar o corpo e chegar à conclusão que se calhar desta vez é melhor estar quieto para não estragar mais e depois de recuperar, voltar a fazer o que se gosta sem estragos de maior. Há tanta coisa boa para fazer no Mundo… 
Não descansar, insistir em exigir do corpo aquilo que lhe faz mal e querer que esteja bom e pronto para tudo é irreal e tão pouco saudável. Novamente, Fátima é um lugar possível para fazer esse pedido.
A conversa de dizer que já se faz práticas avançadas como se isso fosse uma coisa fantástica. A mim incomoda-me. A sério. Soa ao ego de “eu sou o maior”. Se calhar porque eu acho que o que importa não é o ásana mas sim a consciência com que o fazes. Por mais aparentemente simples que uma posição seja, tem sempre algo a ensinar; se quando lá chegas achas que não é avançado o suficiente para ti… you’re missing the point. Se fazer um ásana super avançado te traz danos irreversíveis ao corpo ou “só” causa bastante dor, se calhar algo está errado, e se calhar não é o teu corpo… Pensa nisso.
Este corpo que habitamos aqui e agora foi-nos emprestado, ele vem da Terra, caminha na Terra e um dia à Terra vai regressar. Que tal cuidares do teu corpo como uma dádiva? Um presente!? Algo sagrado que permite que a tua Alma continue o seu Caminho. Com respeito, escutando, sentindo, respeitando, cultivando força e vitalidade. Sei lá, com Amor! Pensa nisso…

Diana