Praticar e estudar yoga numa só linhagem ou conhecer vários pontos de vista. 

linhagens de yoga

O Mundo do Yoga é difícil de navegar, principalmente se acabaste de chegar. No Ocidente (vamos utilizar esta designação para dizer “por cá” por oposição ao que é na India) há uma grande quantidade de abordagens, linhagens, nomes em sânscrito, Yoga, Yôga e Ioga. 

Se já passaste por algumas, terás constatado que aquilo que é dito varia um pouco, nomeadamente quanto ao que estudar e como estudar. Venho aqui expressar qual é a nossa (YogaPro) visão quanto a isto. 

Pessoalmente, nestes últimos 14 anos de prática e estudo, já experimentei várias abordagens diferentes à tradição do que é Yoga. Comecei com professores que tinham acabado de sair do Swasthya (hoje conhecido como Método deRose), depois pratiquei Ashtanga Vinyasa na Casa Vinyasa (quando era ao lado da Gulbenkian), experimentei Sivananda, Yoga Tradicional, Vedanta, estudei Ayurveda, Tantra na India, formei-me em Tantra Yoga com a Ananda Marga e parti para novos rumos com o Prana Flow. Pelo meio fui estudando com professores americanos em workshops intensivos conforme pude. 

Em muitas destas abordagens, fui encorajada a ficar por uma só. Foi-me dito que, se não ficasse por uma linhagem, seria o mesmo que andar à deriva e nunca iria conhecer o Yoga em profundidade. Deveria escolher e ficar, estudar apenas e só com uma pessoa ou com o professor desse professor. Ler livros apenas dessa linha de pensamento. Praticar apenas dessa forma. 

Não sou pessoa disso. Sou de Natureza inquieta, curiosa, preciso de estudar, de aprender, de questionar de re-estruturar. Não sou de ficar quieta muito tempo numa coisa só. Respeito a minha Natureza mais do que o que venha de fora de mim. Quando sinto que está na altura de partir para outras paragens, lembro-me de que não sou uma árvore, que posso mudar de sítio, e mudo. 

Há pessoas cuja Natureza é o oposto da minha, precisam de estabilidade, de segurança numa coisa só. Pessoas com uma natureza talvez com maior contentamento do que a minha. Não considero que ninguém esteja certo nem errado neste assunto. Acredito que há lugar para tudo, e que não temos todos as mesmas necessidades. A verdade, é que inquieta que seja, mantive-me no Caminho do Yoga 14 anos, uma absoluta vitória em permanência para mim. Acredito que devemos conhecer a nossa natureza, remover a ignorância (avidya) quanto aquilo que somos, perceber o que precisamos e é construtivo, e o que não precisamos por ser destrutivo recorrendo ao discernimento (viveka) e persistir (vairagya) em trilhar o nosso caminho individual. Não me faz sentido impor apenas uma forma de fazer as coisas quando estamos essencialmente a convidar alguém a descobrir a sua natureza, única. 

Os nossos alunos são e serão sempre convidados a trilhar o seu caminho, a experimentar, a ler, a estudar com quem quiserem da linha que quiserem. Os nossos alunos são e serão sempre motivados a utilizar o seu pensamento crítico, a questionar, a dar o benefício da dúvida, a refletir. Os nossos alunos não são “nossos”, são seres humanos de plena posse que escolhem dentro da liberdade que é sua de nascença. Entendemos que as escolhas de cada um, são as escolhas de cada um, e que por isso são respeitadas como tal, tal como as nossas devem ser respeitadas. Não vamos impor nada, apenas podemos expressar opiniões e perspectivas pessoais, cada um escolhe por si e por nós está de boa medida. Por isso, todas as linhagens são sempre bem vindas. Temos sempre muito a aprender uns com os outros, com a diferença vem a maravilha e riqueza que é a experiência humana. 

Diana