Alinhamento funcional – privilegiar a função e não a forma (ou aparência)

Quando fazemos posturas de yoga, podemos ter objectivos muito variados, desde alongar diferentes músculos até ao objectivo estético. E consoante o objectivo, a postura pode manifestar-se de variadas maneiras. Quando o nosso objectivo é apenas estético, procuramos por exemplo alcançar um máximo de amplitude em determinada postura, ou alinhar milimetricamente determinadas partes do corpo. Mas por vezes, esse alinhamento estético pode não respeitar as nossas características anatómicas específicas ou pode não ser o mais adequado para outros objectivos como o aumento da flexibilidade ou da força em determinados grupos musculares. 

O alinhamento funcional, pelo contrário, pretende melhorar as funções neuro-musculares. Ou seja, procura obter determinados resultados não estéticos como sejam:

. aumentar a flexibilidade, 

. trabalhar o tônus muscular ou força, 

. promover uma postura saudável e não lesiva,

. aumentar a consciência corporal e motora, 

. criar mais espaço para facilitar a respiração. 

Assim, podemos ter várias formas ou modificações de um ásana e devemos procurar aquela que melhor consegue colocar-nos no caminho das nossas intenções. Uma vez que todos nós temos diferenças anatómicas, a nossa forma em determinado ásana deve ser ajustada para respeitar a sua função, ou seja, a nossa intenção ao praticá-la.

Dependendo da nossa anatomia, alguns ásanas podem ser lesivos e devemos procurar modificações com resultados mais positivos. Alguns alinhamentos convencionais do Yoga não têm por base questões de segurança a nível físico. Alguns exemplos são:

1. Alinhamento dos joelhos em Parivrtta Utkatasana – tradicionalmente, dá-se a indicação de manter os dois joelhos alinhados neste asana, no entanto, para a maioria das pessoas, será muito mais saudável permitir algum movimento nos joelhos em para não criar demasiada tensão e inflamação na região sacro-ilíaca. 

2. Alinhamento dos dois pés em Trikonasana, Parivrtta Trikonasana, Virabhadrasanas – Para quem tem problemas de equilíbrio, é mais benéfico permitir que os dois pés não fiquem completamente alinhados, permitindo uma maior base de suporte; para quem tem sérias limitações de mobilidade a nível da bacia, obrigar a alinhar os pés leva a descompensações e torções indesejadas nas articulações sacro-ilíaca ou coxo-femural.

3. Eka Pada Rajakapotasana – leva a compressão do joelho quando a mobilidade da cintura pélvica é reduzida. Se a mobilidade da bacia for reduzida, a rotação externa da coxa que se procura neste Asana fica limitada. Porém, forçamos fisicamente a perna a ficar na posição pretendida ao colocar a perna está fixa contra o chão. O joelho é por isso obrigado a compensar pela falta de mobilidade da bacia, sofrendo por vezes forças bastante lesivas.

Maria João